
Minha muito querida irmã comprou uma bela casa, numa praia linda, como todas as outras da minha terra, e neste carnaval fomos pra lá. Mar azul, infinitamente azul e belo durante o dia. À noite o acho dantesco e tenebroso, é uma escuridão sem fim.
A praia deserta e sem luz me fez lembrar da minha rua, a rua da minha infância, onde me encantava com as noites escuras, porque o céu era um manto negro cheio de brilhante que me faziam sonhar.
De repente senti uma vontade imensa de olha pra cima, como se algo tivesse me dito: Vê se encontras o teu céu perdido… Meu Deus, que surpresas me reservastes? Lá estava o céu da minha infância, igual como eu o deixei. Cheguei a gritar de emoção, chamei todos para ver comigo. Eu queria testemunhas do meu reencontro com as estrelas que eu procurava há tanto tempo. Mais de meio século que não as via, brilhantes, reluzentes sobre o mar de Maracajaú, na minha terra amada. E lá estavam o barquinho, as casinhas e tudo mais, no lindo céu do mundo.
O meu céu perdido no passado.
— Praia de Maracajaú, Rio Grande do Norte – Carnaval de 1998
